terça-feira, 17 de setembro de 2013

Depoimento de leitura e escrita


Professora: Eliane Líbia Westhöfer Moreira
Ciências e Biologia
Escola estadual Adonias Filho

"Concordo com as palavras de Newton Mesquita e do Sr. Calligaris pois para mim a leitura nos transporta a outros mundos, a outras realidades e quando a leitura me toca, me pego procurando indícios do que tanto me atraiu na leitura no mundo ao meu redor. Quando criança sempre ganhava livrinhos de contos infantis e discos que continham histórias. Eu lembro que me regalava com eles. Minha mãe havia comprado para nós, eu e minhas irmãs, a coleção do Monteiro Lobato que contava com 12 volumes. Nesta coleção havia as aventuras do Sitio do Pica Pau Amarelo os quais eu li e reli. Já a segunda coleção do mesmo autor, eu não li muito, pois não gostava. Tinha o volume Urupês que eu não havia entendido nada. Tínhamos outras coleções com histórias e fábulas. Era uma delícia! Na adolescência tive minha fase de fotonovelas e muito gibi. Minha mãe fazia parte do Círculo do Livro e mensalmente tínhamos um livro para ler. Sempre gostei de ler, mas infelizmente possuo muita dificuldade na escrita. Não sei o que ocorre, mas na hora de colocar no papel as minhas ideias, eu travo. Acho que é por este motivo que na escola eu sempre pego no pé dos alunos que gostam de escrever, quer sejam contos, poesias ou histórias de terror, para que eles registrem tudo o que escreverem em um caderno, para criarem um acervo. Adoro ler as produções deles. Meus pais sempre compravam enciclopédias, como a Barsa e o Conhecer para que fizéssemos as pesquisas escolares a contento. E mesmo assim, sempre tive a dificuldade na escrita. Na pré-escola eu tinha dificuldade em me lembrar de como falar algumas palavras em português e com isso eu era caçoada porque as crianças não entendiam como eu, uma criança brasileira não sabia falar corretamente o português. O fato é que fui criada na língua alemã e austríaca, em casa só se falava esses idiomas, daí minha dificuldade. Sei que fui me retraindo e nunca gostava de escrever ou ler para os outros. Minha letra sempre foi terrível e nunca consegui melhorá-la, apesar dos cadernos de caligrafia dados pela minha tia. Quando fiz meu primeiro TCC, foi uma batalha terrível, pois escrevia e reescrevia diversas vezes, até sair o trabalho. E é assim até hoje, escrevo e reescrevo pois nunca acho que está bom, Acho importante nos lembrarmos de nossas dificuldades para incentivarmos sempre os nossos alunos, pois para mim faltou muito da compreensão e incentivo de meus professores. No ensino médio eu tive um professor de inglês que fazia de suas aulas um aprendizado real. Eu que nunca gostei de inglês porque misturava com alemão, contava para chegar a aula dele. O seu segredo é que na época nos recomendava que comprássemos alguns livrinhos de historinhas em inglês. Livros finos, que todos os alunos compravam sem reclamar. Tínhamos de lê-los em casa e traduzi-los. Em sua aula sentávamos em roda e líamos um trecho cada um em inglês e depois íamos traduzindo. O ensino era muito mais agradável, pois não ficava só na lousa. Em cima dos livros aprendíamos a gramática necessária, pois o professor os explorava muito bem. Trabalhei em uma escola em São Bernardo do Campo que tinha espaços maravilhosos para realizarmos atividades diferenciadas. Aliás, espaço era o que esta escola mais tinha. Havia um espaço em especial que lembrava muito o jardim da casa de meus avós. Neste espaço na escola havia plantas, cadeiras com mesas e bancos e era coberto por telhas plásticas para a claridade solar penetrar e neste lugar as professoras da língua portuguesa realizavam um sarau com os alunos e eu o utilizei para fazer experimentos. Na escola que trabalho atualmente, espaço não há, mas há um projeto que será implantado onde todos os professores de todas as disciplinas estarão envolvidos com a estimulação da leitura. Ainda será decidido, mas deverá acontecer uma semana por mês, onde cada professor levará para a sala de aula um texto que será lido e interpretado pelos alunos. O intuito é de todos nós nos unirmos para auxiliarmos os alunos na leitura e escrita, afinal não é só a disciplina de português que pode ensinar o aluno a ler com a entonação e pontuação correta. Queremos desmistificar isso na cabeça dos alunos e desta forma fazê-los se sentirem mais confiantes na leitura em todas as disciplinas".

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